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Morrer de amor não é difícil, não.
Se atirar do edifício.
Viver de amor é que é difícil,
Se atirar.(Zeca Baleiro)
E quando alguém lhe disser sobre o céu, ao menos lembra que um dia, eu também fui infinito.
Eu te murmuro, eu te suspiro. Eu, que soletro teu nome no escuro.
Você causa lágrimas nos meus olhos que não te veem. Rachaduras dos meus lábios que não te beijam. Arrepios na minha pele que você não toca. Consequências irreversíveis. Li certa vez que o amor nos encontra quando estamos distraídos e não há ninguém prestando atenção. Você foi uma tempestade inesperada e mortal. Dano irreparável. Nós somos a enchente. A água que invade os pulmões. Você é um caso sem volta, caminho só de ida para o abismo, e eu vou, eu vou.
G.
meu coração jaz entre teus dedos pálidos
atire-o onde melhor lhe convir, é teu.
(eu sempre disse que não sei dizer adeus)
Vontade que não cabe no peito. vermelho que não cabe nos olhos. calma que não cabe por dentro e transborda e chora e sara e ama. Dúvida que não cabe na mente, sentimento que se extraí no toque, que desmonta no desejo de poder sentir: a sua pele no frio, o arrepio quando sussurro, o seu suspiro, o seu abraço, os seus dedos marcados de sol lá si dó.
O teu riso, o teu silêncio
Serão meus ainda e sempre.
Chico Buarque
ao som das mesmas canções.
Memórias que o coração desperta ao menor sinal das melodias que tua voz guardou em meus ouvidos. Saem mansas. Saem ásperas. Ouço até não poder distinguir as palavras. Tua voz lateja até entorpecer os sentidos. Via-me sã enquanto me chamava de insana entre refrões. Eu queria doer até parar de sentir, como se a dor fosse uma garrafa de vinho que acaba quando se menos espera. Pensava no teu rosto até, quem sabe, ser incapaz de pensar. Era excesso para deixar de ser.
Você ainda existe nos olhos que se fecham exaustos em cada refrão que me rasga.
G.